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ESTALK

Comunicações, Divulgações e Conferências

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8 MARÇO 2013

Trinta e quatro anos de profissão, entre os quais vinte como professor e uma visão de responsabilidade cívica grande, no sentido de divulgar o design e os designers portugueses em Portugal e no estrangeiro. Foi assim, perante um auditório cheio, que Henrique Cayatte se apresentou e iniciou a Estalk sobre design editorial, uma área em plena transformação. Segundo o profissional "estamos como sociedade a desmaterializar a informação e o conhecimento, e o design editorial trata disso mesmo".

Entre o exemplo da construção de um livro, passando pela importância da individualidade, Henrique Cayatte falou também da passagem da tradição oral para a tentativa de fixar a informação, o que leva à ideia de memória: "O que fica quando migramos dentro da área editorial? Quando peças de grande valor e interesse sobre uma sociedade, cidade, corrente artística, etc que deram origem a peças editoriais fantásticas que remetem para cartas, fotos e outros objetos que sobreviveram a incêndios, cheias, humidade, traças, enfim?"

A era do digital está intimamente ligada à efemeridade. Uma carta de amor que era lida vezes sem conta quando vinha de um destino de guerra, espólio familiar quando alguém já se foi, na qual a caligrafia trazia valor acrescentado às palavras, é algo em desuso. Hoje, e segundo o professor, as mensagens de amor seguem em formato sms, "e quanto tempo dura esse sms no telemóvel?". Recorda ainda que "desde 1998, pelo menos, que a informação passou de uma disquete para uma pen e às vezes para nada, ficando no icloud na internet", repara.

Quando questionado por uma aluna na plateia sobre a dispersão da atenção, pela multiplicidade de conteúdos a que se acessa em simultâneo e o perigo de tal acção levar à superficialidade do conhecimento, Henrique Cayatte deu o exemplo de uma das suas aulas no ano em que se comemoravam os 50 anos da UE. Disse aos alunos que na aula seguinte lhes ia fazer uma pergunta sobre a actualidade. Chegado o momento e feita a pergunta: "quantos anos comemora a EU?". Maioria dos alunos errou. Esta informação chegou-lhes de todas as formas, revistas, jornais, telejornais, rádio e plataformas web. Este foi o exemplo dado para a confirmação da dispersão total e a não apreensão da informação de forma profunda. Estamos em plena transformação e "os jovens não se devem vergar às crises, nem de mentalidade nem económicas. Acredito que a inovação vem dos jovens. Há grande talento nos jovens designers de hoje", afirma o professor.

Desta Estalk saem poucas respostas. A perspectiva e experiência de Henrique Cayatte visou provocar reflexão sobre o contexto actual e, porque não, o futuro, do design editorial e sua função na comunicação humana.